domingo, 13 de abril de 2008

Não moro mais em SP!

Hey,

Em uma das reuniões dessa semana ao me posicionar sobre certo assunto tive que dizer a seguinte frase "pois eu moro em São Paulo" que em seguida corrigi "morava em São Paulo". Um pequeno detalhe cotidiano que ganhou grande importância com o passar dos dias, principalmente com a chegada do fim de semana.

Neste sábado minha família trouxe para cá o resto das coisas que me faltavam, em particular a mesa do meu quarto e o computador. Fato aparentemente corriqueiro, mas muito significativo, pois estava trazendo em definitivo para cá talvez os objetos mais importantes que eu possuia em São Paulo, fato que por sí só já me deixou um pouco apreensivo.

Acompanhado disto veio a notícia "Rafa, em aproximadamente um ano vamos transferir sua irmãzinha para o seu quarto (...) quando você voltar para São Paulo ficará no quarto de hóspedes, o atual quarto dela". Pronto. Eu MORAVA em São Paulo. Não há sentimento de abandono em relações aos meus pais, pelo contrário, me montaram um apartamento bem legal aqui em São Carlos, mas a verdade é que estou definitivamente saindo de casa.

Parece meio bobo, eu sei, mas eu sempre pensei que apesar dos 6 anos de faculdade que passarei por aqui as coisas eram meio temporárias, em outras palavras, ainda que eu passasse vários dias longe de SP eu sempre tive a sensação de que em breve estaria de volta. Não estava preparado para isso, mesmo porque por mais que eu esteja gostando cada dia mais da faculdade e do curso, tendo os medos e inseguranças relacionados à sua recente criação e o método PBL desaparecendo, não posso negar que algumas vezes ainda penso em possíveis (mas raras) provas de transferências para as faculdades de SãoPaulo.

E digo que tenho esses pensamentos muito por causa das amizades que tem feito muita falta por aqui. Pelas faculdades que passei e até mesmo nos cursinhos que cursei(coisa que me surpreendeu muito) nunca tive lá grandes problemas de adaptação. Nas faculdades encontrar pessoas com os mesmos gostos e interesses que eu era bem simples, nos cursinhos a dificuldade foi maior, mas acabei encontrando gente que acabou me marcando mais que qualquer um das faculdades.

Aqui isto não têm ocorrido, a adaptação não está sendo fácil. Tenho amigos, não posso negar isso, mas são pessoas totalmente diferentes de mim, algumas com pensamentos tão opostos que fica até difícil chamar de amigos, sendo mais fácil considera-los como colegas de curso.

Não que eu pense que cursar uma faculdade em São Paulo fosse mudar tal cenário, sei que isto ocorre pelo perfil dos estudantes de medicina não condizer com a minha identidade, mas 235km me impedem de chamar meus amigos mesmo para uma cerveja em uma sexta feira tediosa.

No fim fico repetindo para mim mesmo uma frase(de efeito) que a tenho comigo desde que pensei pela primeira vez que quis fazer medicina "Às vezes você tem que fazer o que tem de fazer"...conformismo barato? talvez...mas sou tão apaixonado pela medicina que adotarei até mesmo de tais métodos tão incomuns para mim.

Dancing with myself...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Adaptação

Hey,

O processo de adaptação é constituido de diversas fases, tendo para algumas pessoas fases mais ou menos acentuadas dependendo do preparo para tais. Ando por uma dessas fases que possuem um destaque maior que as anteriores, sinto-me estranho em SP e também em São Carlos, quase como uma falta de referência.

Às vezes costumo dizer que são duas alegrias: uma quando estou indo para sampa e outra quando estou voltando para sanca. Em SP tenho tido cada vez mais a sensação de "vc não pertence mais a aqui" e em SC me parece que "ainda não pertenço a aqui". Não que eu possa reclamar de alguma coisa em ambos os lugares, mas essa sensação de deslocamento tem sido meio constante.

Por aqui em sanca tenho tentado resolver este problema me envolvendo na maior quantidade de atividades que for possível, além de estar estudando com o nunca estudei antes, nem mesmo em tempos de cursinho. Em SP que ainda não sei o que fazer além de esperar que tudo isso passe, e talvez seja apenas isso que eu tenha de fazer mesmo, me acostumar com o fato de que não estar todo dia por lá implique em mudanças, por mais que eu queira pensar que voltando todo fds seja o suficiente para que tudo continue como era antes.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Em São Carlos...

Hey,

Depois de alguns dias sem chegar próximo a um computador finalmente encontro aqui no hotel um ponto com internet para poder mandar notícias. A internet não é das melhores e possívelmente não conseguirei acabar com toda a abstinência internética por que ando passando, mas será o suficiente para mandar notícias.

Cheguei aqui na segunda feira e fui procurar lugar pra morar, acabei me decidindo por morar sozinho, coisa que mais tarde conversando com uma veterana descobri ser o melhor a se fazer mesmo, ainda porque entre o pessoal da medicina não há aquela tradição republicana. Encontrei um AP bem bacaninha perto da faculdade, mas um pouco longe das festas, fiquei meio assim por causa disso, mas a mesma veterana me garantiu que não era problema e que ela mesmo pretende continuar durante os próximos 4 anos que lhe faltam por lá.

A faculdade é bem bacana, é muito legal estar em uma universidade, a estrutura do campus é gigante, temos de tudo por lá. O curso de medicina em sí ainda não tive contato, por enquanto não tive tempo de conhecer a faculdade direito e por culpa das chamadas que ainda vão ocorrer as aulas só tem sido apenas algumas discussões do método que vamos utilizar, pelo menos foi isso o que me contaram, pois só assisti uma aula até o momento.

O método de ensino por aqui é um negócio meio maluco, não é somente PBL, mas como também construtivista, totalmente moderno. Confesso que por enquanto ando meio receoso, talvez por estar ansioso para descobrir o que isso realmente é...mas me parece interessante. Ontem precisavam de alguns alunos voluntários para simular uma "Situação Problema" - como é chamada as aulas de apresentação de casos - em função da contratação de novos docentes. Pensei que seria uma boa oportunidade para conhecer o método e me voluntariei. O negócio é bem legal, lembra a série House. Sentamos todos em uma mesa redonda com o professor na ponta que começa o caso "João Silva, 37 anos, dois filhos, apresenta dores pelo corpo, cabeça e febre. O médico do PS receitou antiinflamatório..." e a partir disso temos de discutir os sintomas, ações do médico, etc...muitas perguntas acabam sendo levantadas, principalmente por ninguém ter conhecimento algum a respeito, perguntas que devem ser respondidas por nós mesmos a partir de pesquisas orientadas pelo professor.

Fora isso tenho tentado me enturmar o mais rápido possível, entrar com todo mundo já meio se conhecendo é meio foda, mas o pessoal tem sido bem receptivo. Ontem participei da reunião do CA e de um grupo de Clowns que está sendo formado, Clowns para quem não sabe são aquelas pessoas que divertem as pessoas, mas diferentemente dos palhaços ficam apenas no improviso, o projeto é semelhante ao já existente "Doutores da Alegria". Participei também do happy hour semanal da medicina em um bar perto daqui do hotel e amanhã irei num churrasco do pessoal de materiais. Está sendo bem bacana.

Creio que sexta a noite já esteja em sampa-city...e que saudades da capital, uma coisa que será difícil me acostumar por aqui é com o rítmo interiorano e falta de toda a modernidade de Sampa...

domingo, 9 de março de 2008

É hora de ir!

Hey,

Finalmente uma surpresa boa, já estava de saco cheio da minha falta de sorte. Desta vez de forma totalmente inesperada tive uma boa notícia, fui aprovado no vestibular de medicina. Como não podia deixar de ser, aconteceu de forma bem irônica. Demorei duas semanas para me acostumar com a idéia de outro ano de cursinho e quando finalmente consigo isto recebo a notícia de que não será necessário, ainda bem, mas acabei sofrendo a toa...talvez tenha sido algum tipo intensivo de aprendizado.

Passei. E passei no interior, São Carlos para ser mais exato, na Federal de São Carlos, Ufscar. Ainda não caiu a ficha, devagar estou percebendo que tudo é real mesmo, seja quando vou arrumar minha mala, separar os documentos ou quando percebo em meus amigos e família um certo receio com a distância.

Estou bem animado e apesar de algumas inseguranças como o fato de ainda não ter lugar definido para ficar, tudo parece bem interessante. E ainda que nos últimos tempos tenha me esforçado para ficar em São Paulo, eu estou conquistando a liberdade que almejava quando me decidi em definitivo pela medicina.

Vai ser legal, o otimismo voltou a reinar, da mesma maneira que eu acredito que as merdas nunca acontecem sozinhas eu também acredito que quando começamos uma onda de sorte outras mais vão vindo com o tempo...e com uma mudança desta magnitude só posso esperar e desejar muitas coisas boas.

É hora de ir...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Hora de recomeçar!

Hey,

Azar é uma merda, desacredito o quanto no último mês tudo que poderia dar errado tenha realmente dado errado. As coisas vinham dando certo, bastante por sinal, nada era perfeito é fato, mas não podia reclamar. Já há algumas semanas que estou com a música do Lambrusco na cabeça "quero um pouco de sorte // já cansei de esperar".

Estou escrevendo isso hoje por ter tido a confirmação de que ainda não serei um estudante de medicina. Depois de 5 chamadas eu não fui convocado para matrícula na famema e só para ilustrar um pouco vou escrever as estatísticas dos últimos 5 anos e comparar com o que aconteceu desta vez.

De forma resumida em todos os anos o último convocado sempre esteve acima da posição 190, sendo que alguns anos as chamadas ultrapassaram o 200° colocado. Mesmo a relação candidato/vaga variando sempre foi assim, ainda que alguns anos tenham sido muito mais concorridos que outros. Este ano eu fui o 165° colocado.

Cansado e estafado são o que podem definir como estou, não somente em relação à medicina, mas a tudo que vem ocorrendo nos últimos tempos. Penso em efetuar mudanças, mas não sei direito ainda o que fazer para mudar.

No caso da escolha de uma carreira a seguir não falta muito para escolher outra coisa, ou falta, já que não consigo pensar em outra coisa por mais de 10 minutos, nada me anima ao esforço necessário, mas tem sido difícil também me resignar e continuar na luta.

Quanto ao aspecto pessoal não tem sido menos complicado, penso o quanto isto foi inexistente durante o ano passado e tudo o que construí depois do termino das provas, recuperando bastante do que foi em tempos menos nebulosos e chego a conclusão de que será muito difícil abrir mão disto tudo, muito pelo fato de que parte disso me acompanhará todos os dias no cursinho e ignorar tudo e todos não será mais uma opção, ou pelo menos não uma fácil como era.

crises, crises...
espero que o fim de semana ajude

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Filme na madrugada

Hey,

00:00:48,210 --> 00:00:52,609
A anedota é antiga. Duas velhinhas
estão numa estância de férias.

3
00:00:52,610 --> 00:00:56,209
Uma diz: "A comida aqui
é completamente horrível".

4
00:00:56,210 --> 00:00:59,889
E a outra:
"É. E as doses são tão pequenas".

5
00:00:59,890 --> 00:01:02,569
É assim que me sinto em relação à vida.

6
00:01:02,570 --> 00:01:06,649
Cheia de solidão, e infelicidade,
e sofrimento, e desgostos

7
00:01:06,650 --> 00:01:08,969
e acaba tão depressa.

8
00:01:08,970 --> 00:01:14,369
A outra piada importante para mim
é normalmente atribuída a Groucho Marx.

9
00:01:14,370 --> 00:01:19,049
É originalmente de Freud, em "O humor
e a sua relação com o inconsciente".

10
00:01:19,050 --> 00:01:23,569
É assim, mais ou menos:
"Eu nunca faria parte de um clube

11
00:01:23,570 --> 00:01:26,409
que deixasse entrar
alguém como eu".

12
00:01:26,410 --> 00:01:30,849
É a piada-chave da minha vida no que
toca à minha relação com as mulheres.


....

1526
01:30:28,650 --> 01:30:31,529
E me lembrei da velha piada,

1527
01:30:31,530 --> 01:30:34,809
do cara que vai ao psiquiatra e diz:

1528
01:30:34,810 --> 01:30:38,769
"Doutor, o meu irmão é maluco.
Acha que é uma galinha. "

1529
01:30:38,770 --> 01:30:42,369
E o médico pergunta: "Por que é que
não o traz de volta a si?".

1530
01:30:42,370 --> 01:30:45,569
E ele responde:
"Até faria, mas preciso dos ovos".

1531
01:30:45,570 --> 01:30:50,169
É mais ou menos o que sinto sobre
as relações entre as pessoas.

1532
01:30:50,170 --> 01:30:55,329
São totalmente irracionais,
loucas e absurdas...

1533
01:30:55,330 --> 01:31:01,910
Mas nós vamos agüentando
porque precisamos dos ovos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Uma noite no poker

No poker existem milhões de teorias de como se jogar. Dicas e mais dicas de como se dar bem, jogadas perfeitas, análises estatísticas, mas no fundo a maior parte delas não adianta para muita coisa.

Desde a popularização do texas hold'em muito se fala sobre, a variedade de livros escritos sobre o tema é muito grande e o que não faltam são "especialistas" no assunto, dos mais variados por sinal, desde o campeão milionário ao cara que anda pra cima e pra baixo com um baralho e algumas fichas.

Mas como você recebe suas cartas e coloca suas fichas na mesa tudo pode acontecer, talvez aquela trinca de ases que você possuía te faça perder muito dinheiro.

Em meu último jogo de poker foi assim, logo de cara estava com uma boa mão, nas primeiras apostas meu adversários não davam sinal de que tinham alguma coisa. No flop tinha certeza que tudo ia ocorrer bem e por isso continue apostando, pagando pra ver.

Na penúltima carta que virou na mesa as coisas já não pareciam muito bem, as chances de que outros tivessem também bons jogos aumentaram, mas eu continue apostando. Apostei por acreditar naquilo que tinha em mãos, valia a pena o risco e no mais eu ainda teria algumas fichas para continuar jogando.

A última carta virou e as apostas finais foram feitas, todos os jogadores mostraram suas cartas...percebi que não ganhei, mas ainda não sei se perdi, estamos discutindo se vão levar minhas fichas ou se o pot será dividido entre os jogadores.

De qualquer maneira ainda tenho fichas para a próxima rodada e se outra mão boa me aparecer, mesmo que sejam as mesmas cartas da jogada passada, eu continuarei a apostar...com a mesma quantidade de fichas, com o mesmo empenho, pois se há uma lição válida dos livros de poker ou das dicas dos profissionais é que somente apostando alto seremos capazes de lucrar algo que realmente valha a pena ter sentado na mesa para jogar.

Garçom, por favor, mais uma vodka.